No pressure over capuccino…

 There are no worries and certainly no pressures

In the meantime I’ll live like there’s no tomorrow 

Certamente, esses foram os 4 anos mais longos da minha vida. E não foi ruim. Pelo contrário. Foram anos deliciosamente “perdidos”. Perdidos sim, pois como num passe de mágica, tudo o que foi cuidadosamente construído foi abandonado. Eliminado. deixado de lado como se faz com um brinquedo velho, ou um antigo caderno cheio de palavras que devem ser esquecidas. E assim ele partiu. Sem dizer adeus. Sem o típico olhar pra trás. Sem os olhos marejados. Sem a luz amarelada. Apenas partiu, como quem levou 4 anos para tomar uma decisão e quando finalmente conseguiu, quis ser radical.

When will you stop leaving, baby?

When will I stop deserting, baby?

When will I start staying with myself? 

Eramos felizes juntos. Ele me fazia rir. Eu o fazia gargalhar. Ele contava quantas vezes eu sorria. Eu, quantas vezes ele dizia que estava indo pra casa. Era sempre a mesma sensação da novidade sem a novidade. Era o inicio. Um inicio que durou 3 anos. E pra mim era tudo, estar ali, quase amarrada àqueles dias em sua companhia… Era a minha liberdade, sem a publicidade. Um relacionamento gostoso. Impróprio. A não necessidade presencial salpicada de um certo respeito. Uma neutralidade quase irritante. A cumplicidade era a chave do nosso negócio. Ele dizia sim, eu, não. Eu, a gata de rua. Ele, o cão pulguento.

Implicância:

a perdição.

I could fall in love a million times before I die

You could draw me a bubble bath

We could walk into the sunset 

Como tudo acontece sempre na quarta-feira, foi nesse dia que tudo acabou. Ou melhor, renovou. Eu assistia “Loucas por amor, viciadas em dinheiro”. Filme legal, divertido… Sozinha na sala, ouvindo ao longe os ruídos da noite. Tentando achar uma maneira de fazer como as mulheres do filme, quem sabe ir trabalhar destruindo dinheiro velho, pegar umas notas aqui, outras ali… O sinal de alerta do celular cortou meu raciocínio.

Conteúdo da mensagem:

Espero que perdoe por eu ser assim, mas, o melhor para nós dois

é sermos só amigos, prometi não sumir, então sempre que puder

vou estar por perto.

De coração te desejo muita felicidade.

Jamais vou esquecer do que você fez por mim…

apertar o nariz é o melhor remédio.

Espero que não me procure, pois podia não ter certeza quanto a nós,

mas tenho certeza do que digo agora. Desculpe por tudo…”

Bom… Senti um leve ar de… culpa?! Remorso…? Não?! Bem… eu senti…

You seem very well

Things look peaceful

I’m not quite as well

I thought you should know

Did you forget about me Mr Duplicity

I hate to bug you in the middle of dinner

But it was a slap in the face

How quickly I was replaced

And are you thinking of me when you fuck her?

Levantei a sobrancelha. Pensei durante alguns instantes sobre o que leva uma pessoa que nunca teve medo de falar nada me olhando nos olhos a fazer uma coisa dessas. Pausei o filme. 30 segundos de choque. “Será que eu vou chorar?”, pensei. Respondi friamente com um sorriso. Se era por sms que ele queria o fim, era assim que seria. Me ajeitei no sofá, estalei os dedos, busquei no fundo da alma a inspiração necessária e redigi minha vitória. Com a arrogância de quem se recusa a sair por baixo, fui rápida no que tinha que fazer.

Solução dos meus problemas:

Obrigada. Pela 1ª vez, você foi totalmente sincero comigo.

E isso foi muito bom. Só esperava que você falasse tudo isso

olhando nos meus olhos. Felicidades. Sempre.”

Bem… foram 4 anos… acho que foi tempo suficiente para conhece-lo. Na certa, ele não estava esperando uma resposta, e quando esta chegou, provavelmente ele se encheu de raiva e quis agarrar meu braço falando que estava errada e blá blá blá…

And what it all comes down to

Is that everything’s gonna be quite alright

‘Cause I’ve got one hand in my pocket

And the other one’s hailing a taxi cab…

Não posso acreditar que passei 4 anos assim. Indo e voltando. Voltando e indo. Sem pensar em nada além da usual comodidade e da constante falta de auto-respeito. Fiz, durante 4 anos, tudo aquilo que mais me frustra. Me deixei levar por um completo idiota. Não, ele não é má pessoa, não é um monstro ou algo do tipo. É só engraçado como eu pude me deixar viver assim… O fato de nunca ter havido um comprometimento de ambas as partes, me deixa aliviada. Afinal, se isso fosse um relacionamento “sério” seria realmente frustrante terminar num sms… Enfim, senti uma plenitude enlouquecedora. Dei o play, vitoriosa às 23 horas e 43 minutos.

I’m wise and ambitious

And angry and free

And smart and available

And sexy…

I’m soft and appealing

And wearing pijamas

And twisted and willing

And crazy…

Talvez você esteja pensando que no fundo tudo o que eu queria era ver esse tempo finalmente acabar. Mas não. Confesso. Passei muito tempo querendo e gostando de uma única pessoa, e até certo ponto, é difícil desvencilhar-se de tudo. Mas devo assumir também, que era uma situação tão estressante que foi bom terminar assim. Sem mais nem menos. E como tudo aquilo era o fim, acreditei que era melhor. Segui. Ri de tudo sozinha por um bom tempo. Continuei o filme. Pesei os pratos. Estavam enfim equilibrados. Comprei a liberdade definitiva. Vesti preto sábado a noite. Aprendi a simplificar. A vida é tão mais fácil quando a gente combina tudo diretinho…  (Tia do Café)

You live, you learn

You love, you learn

You cry, you learn

You lose, you learn

You bleed, you learn

You scream, you learn

Ps: Por mais incrível que pareça, se você chegou ao fim desse post, deve estar pensando algo como “mas porque a Tia do Café, escreveu um post ao estilo Homem do Cafezinho?”… o fato é que pra essa pergunta, nem mesmo eu tenho resposta. Talvez, tenhamos as mesmas idéias. Hoje, quando vim dar uma olhada no frapê, antes de editar e postar o “No pressure over capuccino”, fiquei quase imóvel diante do monitor. Cheguei a mandar uma mensagem pra ele, contando o que havia acontecido, e ele, com seu constante aroma de café respondeu “poste-o lá assim mesmo…”. Talvez essa concomitância de idéias seja resultado de um final de semana cheio de conversas. Cheio de histórias. Cheio de possibilidades. No fim, preparei meu capuccino e tentei não pensar em nada. Mais 4 anos pensando eu não aguento… As letras em itálico são de várias músicas desconexas da Alanis Morissette, sempre traduzindo em palavras o sentimento da vez…

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Published in: on outubro 1, 2008 at 8:32 pm  Comments (4)  

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4 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Um post enorme depois de anos sem postar… Tá achando q isso compensa?!
    hum…

    =*

  2. Então Tia, como você mesma disse: “Talvez essa concomitância de idéias seja resultado de um final de semana cheio…..” de tudo o que pode ser….

    E no final o que sobra é só aquilo mesmo, a boa e velha praticidade. E assim levamos a vida, como diz a música: “Passo a passo garota. Eu acho que tudo é realmente apenas uma questão de tempo”

    E ficamos felizes, por não ter ficha e por podermos recorrer à praticidade!!!!!

  3. Gatá,
    Pensa que de quatro em quatro anos tem Copa do Mundo!
    E isso sim é praticidade. Um gol após o outro. Ficadica.

    besos

  4. sabe queeu tive quase 4 anos muito parecidos?
    não teve idas nem vindas, foi um fim e repente, mas as sensações foram as mesmas. só não seia trilha sonora, mas não estou a fim e pensar, basat o que relembrei aqui, mas gostei do post. bj


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