Desde pequena, carrego comigo algumas lembranças que por vezes me fazem lembrar de quem eu realmente sou. São fatos pequenos que marcaram momentos igualmente pequenos da minha vida, mas que como tudo, estão mais do que guardados. Essa estranha memorização, de tudo, de certa forma, pouco influi no que faço agora, mas é uma das características mais marcantes que consigo ver em mim. Lembro-me de tudo, mesmo quando estou com álcool até o ultimo fio de cabelo. Às vezes, vejo e ouço coisas demais. Há quem acredite, há quem repudie, mas quando me pego observando pés passeando sem um corpo na cozinha de casa, todos resolvem ir pra sala. É em momentos como esse que me pergunto quão crentes em tudo as pessoas são. Minha mãe sempre diz, que soube no exato momento em que fui concebida, que eu estava ali. Sim, foi para mim, uma das coisas mais diferentes que já conversei com minha mãe, afinal, quem é que fica sabendo na íntegra o que os pais pensavam durante o ato em que você surgiu?! O fato é que, reza a lenda… (perdoe a brincadeira!) que de repente, não mais que de repente, uma voz suave lhe penetrou os ouvidos deixando cair o nome “Mariana” (não, não era meu pai errando o nome da minha mãe E não… meu nome não é “Mariana”). Mais engraçado que ouvir isso, foi saber que na mesma época, os dois brigavam feito cão e gato e minha mãe estava certa em pedir o divórcio. Acabou. Cheguei com tudo para não deixá-la ir embora. Teve medo de segurar a barra sozinha. Eram 3 filhos pra criar. Agora, seriam 4. Continuou. Seguiu o caminho sem olhar pro passado. Escolheram outro nome para a menina que anunciou a própria chegada. Brigaram, sim. Mas tinham 4 “coisas” em comum. E com certeza eram “coisas” que valiam o esforço da união. No fim, só cabe a mim acreditar e aceitar esses fatos.

Outro dia, me peguei pensando em toda a espiritualidade que cerca minha vida. Certa vez, já adulta, meu pai veio me acordar às 7 da manhã (coisa bastate incomum), me cutucou dizendo que tinha uma noticia pra me dar. No exato momento em que ele virou as costas, foi como se num piscar de olhos, eu visse a fotografia de uma grande amiga. Levantei da cama como num pulo. Corri até a cozinha e logo perguntei sobre a menina sem nem me preocupar com qualquer outra coisa. As palavras vieram como um tapa. “Ela morreu”, ele disse. Fiquei alguns minutos imóvel. Sem nem mesmo piscar os olhos. Por um segundo quis que aquele momento fosse um pesadelo. Senti as pernas bambas. Caí. Não acreditava no que tinha acabado de ouvir. No telefone, disquei vários números e todos com a mesma voz, as mesmas palavras. O acidente sábado… era tudo o que diziam. Rapidamente busquei na memória as ultimas palavras que ouvi da boca de minha amiga. “Acho que não vou pra lá domingo… vou estar muito cansada”. Há na morte algum tipo de aviso?! Há próximo ao momento final a certeza de que ele está ali, esperando na porta do quarto, no assento traseiro do carro, ou no suco de limão?

Nesse momento, tenho comigo a deliciosa imagem do ultimo capuccino que tomei. Foi meio apressado, quase que andando pra compensar o atraso. Mas a sensação de que estava tudo perfeito como deveria ser, não passava nem mesmo com a breve corrida pra deixar o amigo no trabalho junto da certeza de que aquele momento não duraria mais 10 minutos. Só nos resta a “triste” porém mais verdadeira idéia de que tudo acaba. No fim, isso tudo me fez lembrar de “A menina que roubava livros” de Markus Zusak (sim, eu leio best-sellers e vou vivendo), então segue uma nota da narradora desse livro adorável – A Morte.

Outros pequenos fatos

“Às vezes eu chego cedo demais.

Apresso-me,

e algumas pessoas se agarram

por mais tempo à vida do que seria esperável.”

(A Tia do Café – incoerente e subversiva)

PS.:A Tia do Café havia me pedido que lesse o texto e “criasse” um título para o mesmo. Não consegui. Não precisava. Mesmo. Depois de tudo o que ela disse, como poderia eu resumir tão intensas linhas em uma única palavra? Impossível….. (Homem do Cafezinho)

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Published in: on setembro 6, 2008 at 9:36 am  Comments (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Às vezes, nem é preciso falar… algumas coisas merecem o respeito de ser lidas em silencio e só…

    Pena q eu não contive minha língua…

    =*

  2. Querido jornalista,

    teu sábado então conseguiu ser pior que o meu.
    Pé torcido? =//
    Cuide-se, moço, que essa nossa profissão já matou vários…

    Beijos


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